Relatório VII Peregrinação no Caminho de Peabiru

 

DATA: 11 (SIMPÓSIO), 12 E 13 (PEREGRINAÇÃO) DE OUTUBRO DE 2007

ITINERÁRIO: MAMBORÊ (PENSAMENTO) - JURANDA - UBIRATÃ (LUZ MARINA)

O VII Simpósio teve início com as palavras da Mestre de Cerimônia, Secretária do NECAPECAM, Sabrina de Assis Andrade, desejando a todos boas vindas e esclarecendo que o Caminho de Peabiru é “IVY MARA EY” e significa “A TERRA SEM MAL”. Esta peregrinação no Caminho de Peabiru homenageia a nação guarani que migrava pela milenar rota em busca da “Terra Sem Mal”. O peregrino estará caminhando por uma razão muito especial, que é apenas sua, e que, com certeza, levará a sua “Terra Sem Mal”. É o que sinceramente lhe deseja o NECAPECAM, reforça Sabrina. Compartilharão dias, sofrimentos e alegrias, momentos únicos e valiosos para a vida de cada um e da COMCAM.

O VII Simpósio sobre o Caminho de Peabiru na COMCAM apresentou informações importantes sobre a questão do turismo, visando conscientizar o peregrino, as comunidades de entorno, os empresários que se dispuserem a trabalhar esta área na palestra do Professor da FECILCAM Ricardo de Jesus Carvalho dos Santos, que também é o Chefe Regional do IAP. Estiveram presentes, além de peregrinos de Londrina, Paraíso do Norte, Campo Largo, São Paulo, Goioerê, Maringá, Cambé, Londrina, Ubiratã, Campo Mourão, Mamborê, e outros municípios, o Prefeito Henrique Sanches Salla, o Secretário de Agricultura, Meio Ambiente e Cultura Cezar Medeiros, o Diretor-Presidente da SUDHERSA Darcy Deitos, a Imprensa regional, autoridades do município de Mamborê, entre elas, o historiador do município Vilson Olipa. Cavaleiros, presença juá partícipe das peregrinações – também se fizeram representar pelo cavaleiro Oliveira da COAMO. Nas falas, ficou ressaltada a importância do Projeto e da VIII Peregrinação como resgate e conscientização histórica, como inclusão da região nos destinos não só do Estado, do país como também da América Latina e do mundo. Muitos agradecimentos, entre eles da Presidente do NECAPECAM Marilene Celant Miranda da Silva e do Prefeito Henrique Sanches Salla. Marilene informa sobre cuidados, sobre a rota. Houve também a apresentação do livro “Operação Terra SEM MAL”, que será lançado no dia 16 de outiubro na Estação da Luz em Campo Mourão, pelo próprio autor, o peregrino de Goio-erê Antônio Sena. A apresentação do grupo de dança “ARTE E VIDA” abrilhantou o evento; o grupo participa do Festival Paranaense “FERA”.

Após o VIII Simpósio, na Casa da Cultura, os peregrinos foram recepcionados na Escola Professora Elizabete, de Ensino Fundamental e Médio, com o prato típico do município, a “leitoa Mateira”, oferecido pelo Prefeito municipal. Houve jantar ao som da viola, numa inusitada e belíssima apresentação dos violeiros de Mamborê e do fiel gaiteiro o qual os acompanha no grupo que permanentemente participa do Festival de Viola, em seus já honoráveis trinta anos de acontecimento. É dividido em quatro etapas; a primeira e a segunda acontecem em distritos – Pensamento e Guarani – e a terceira e a quarta acontecem na sede – Mamborê. O som puro da música sertaneja por aqueles que a fazem de coração e razão. Os peregrinos, após se fartarem do delicioso prato típico, festejam e dançam, animando-se para os dois dias de longa caminhada. Serão 60 km. O prato típico é homenagem à cultura pioneira: a leitoa era criada, nos períodos de desbravamento da região, abaixo dos ervatais e pinheiraris – muito fartos -. Então eram levadas a pé para serem vendidas em Pitanga, Guarapuava ou ainda outros locais. Conta-se que, enquanto os porcos eram preparados para a viagem, os meninos faziam sua parte: encarregavam-se de fazê-los correrem, em brincadeira, mas já os acostumando à caminhada que empreenderiam.

Cansados, todos os peregrinos se põem a preparar-se para a noite. Nos dias 12 e 13, nova aventura os espera.

O município de Mamborê, no Noroeste do Estado e próximo a Campo Mourão, fazendo-lhe fronteira, tem um nome curioso. Em dicionário moderno que traduz o tupi-guarani para o português, “Mamborê” vem de “anñaamborê” (tupi-guarani), que quer dizer “muito longe”, “muito distante”. Os antigos moradores costumam dizer que Mamborê, já registrado também como “Mamburê” (enquanto Distrito), reporta ao fato de que foram sempre difíceis as condições de locomoção e de comunicação para os moradores, que às vezes levavam até um mês de viagem para dirigirem-se a Pitanga, local de seu comércio, a fim de compras e de outras necessidades. Isso falam lembrando as décadas de 1920, 1940, 1960. Esse significado e essa justificativa vêm sendo aceitos e têm se consolidado. Mas, é bom lembrar que Mamborê (ou Mamburê, como era registrado enquanto Distrito) era o mais distante dos acampamentos que pertenciam ao argentino Dom Julio Tomas Allica, no final do século XIX e início do século XX, e era o que ficava mais longe da sua base, no rio Paraná, na época da exploração da erva-mate pela sua Companhia, composta por argentinos e por paraguaios, os últimos em maioria. Esse último acampamento primeiro foi chamado de Natividad, por ter sido fundado no Dia de Natal, porém, pela forma de exploração desumana de trabalho com que se conduzira, esvaziara-se. Depois, com o objetivo de repovoá-lo, o cunhado de Allica e seu capataz, Santa Cruz, teria mudado o nome Natividad para “Mamburê” ou “Mamborê” que permanece e que sugere a forma adverbial “muito distante”, muito longe”. No guarani moderno oficial do Paraguai, existe o vocábulo “mamboretä”, que é traduzido para o castelhano como “saltamontes”, um inseto “coleóptero” que não pára no lugar. No mesmo guarani, existe o seu sinônimo “mamopandecoga”, que quer dizer “Onde está teu lugar?” ou “Onde estás?”, além de “mamonderetä”, variante de “mamboretä”. Também nesse guarani existe a palavra “ambué” que significa “ outro, diverso”. No guarani do século XVII, Montoya traduziu “mâmö” como “aduerbio de lugar, adöde”, tendo registrado “mâmõé” como “em otra parte”. Há registros em 1641 de “Mboreré” referindo-se aos remanescentes jesuítas e indígenas que se organizaram e derrotaram a Bandeira de
Jerônimo Pedroso de Barros e Manuel Pires, “ junto ao rio Mbororé”, na Província Del Guayrá.Vilson Olipa, que escreveu a história de Mamborê, diz textualmente: “Dom Júlio Allica,  trocou o nome para ‘Haamam-Amburê’. Na língua guarani ‘Haamam’ significa ‘lugar distante’ e ‘Amburê’, ‘reunião de pessoas’. Há controvérsias quanto a grafia da palavra na língua de origem, podendo também ser ‘Anmã Amburê’, significando ‘Muito Longe’. Há ainda uma terceira hipótese da origem ser, no guarani, ‘Amahâmborê’ e significar ‘Juntação de Gente’, devido ao capataz de Dom Júlio Allica ter ‘juntado’ trabalhadores às margens do rio Paraná para repovoar a antiga Natividad. Entre estas, a primeira hipótese é a mais aceita como verdadeira”. Levando em conta que a língua guarani era ágrafa e que sua dicionarização, desde o século XVII, vem sendo realizada por estudiosos de outras línguas – português e castelhano – entende-se a dificuldade de uma grafia e tradução exatas. Mas, percebe-se uma coerência fonética e semântica nessas traduções. No conjunto de acepções, pela raiz, fica a idéia de “lugar”, de “lugar longe, muito distante”, de “um lugar que não é este”, de “outro”, de “saltar”, de “não parar no lugar”, de “diversas”. Lembrando ainda que os guaranis eram “nômades”, o campo semântico se amplia.
 
Mamborê surgiu primeiramente como núcleo populacional onde é hoje a Praça das Flores, com o nome de Natividad. O nome homenageia o Dia de Natal em que chegaram os argentinos e maioria de paraguaios para organizarem seu acampamento com o objetivo de explorar a erva-mate, no final do século XIX. Eles estavam vindo desde o rio Piquiri sob o comando de Allica. Seus outros acampamentos foram Ronquita, Catatumba de Folhas, Inhampecê, Pensamento, Don Canuto, Sununu.

A VII Peregrinação no Caminho de Peabiru abrange desde este antigo acampamento – de Natividad (o último deles), hoje Mamborê (Praça das Flores) – até o antigo acampamento - de Ronquita , hoje conhecido como uma “antiga comunidade do município de Ubiratã”.
             A atual colonização teve início na década de 1920 com a chegada da família Nogueira, sendo que o município emancipou-se em julho de 1960 (25/7: criação pela Lei Estadual 4.245; 28/7: Diário Oficial do Estado do PR). Seu primeiro Prefeito foi Nelson Chiminácio. A primeira Câmara Municipal era formada pelos seguintes vereadores: Itacy Ferreira Martins (presidente), Irani Roque Martins, João Szesz, Polon Radecki, Ângelo Gaio, João Batista Chiesa, Oswaldo Borgo e Fernando Pinto de Carvalho.
A atual gestão municipal (2005-2008) é assim constituída: Prefeito Henrique Sanches Sallas; vice-Prefeito Domingos Martins Pereira; Câmara Municipal: Antônio l. dos Santos; Dorneles A. Cavali, Maurício J. Massano; Sebastião A. Martinez; Dirlei M. Pereira; Osvaldo de Oliveira; Gumercindo dos Santos; Claudinei C. de Souza; Ivo K. Carlin.

A população é de 10.079 habitantes e sua área total é de 798. 335 km2.

Dia 12 de outubro. Finalmente, a nova peregrinação. De seis em seis meses ela já é questão de honra, marcada antecipadamente, por muitos peregrinos que vêm acompanhando o Caminho de Peabiru desde as primeiras caminhadas.

Hoje, em Mamborê, o peregrino pega a Estrada Paraguaia para iniciar seu percurso de 60 km, a partir da Av. Interventor Manoel Ribas, mas de ônibus. A 6ª Peregrinação terminara nela, lá em Ubiratã, na comunidade de Yolanda. Que estrada é essa? É uma das estradas mais antigas da região, foi facilmente identificada pelos primeiros moradores nas décadas de cinqüenta e sessenta, como afirmam os topógrafos da Colônia Goio-Bang, Polón Radek e da empresa SINOP, Wilder Bordin, ligando-se a outros trechos também muito antigos. O primeiro agrimensor colaborou na edificação de Mamborê e Juranda; o segundo, de Ubiratã. Ali foram encontrados muitos vestígios de combates, como armas, munição, restos de vestimentas de soldados paraguaios. O Museu de Ubiratã conserva parte dessa memória. Também no Museu do rio Piquiri se conservam vestígios. O peregrino desta VII Peregrinação pôde conferir isso no dia 13, em sua última atividade turística, quando visitou esse Museu e também conheceu o querido Piquiri, a cinqüenta metros do Museu. Os moradores de toda a região percorrida afirmam que a Estrada Paraguaia é assim denominada por ter ali ocorrido combates da famosa Guerra do Paraguai, na Estrada Paraguaia, entre 1865 e 1870.

Essa região, que é conhecida por “região do Vale do Piquiri” e foi ocupada pelos paraguaios até a referida guerra, ainda tinha, na época das pesquisas de Igor Chmyz no Caminho de Peabiru na região de Campina da Lagoa, Nova Cantu, Ubiratã e Juranda, década de 1970, fortes resquícios da tal batalha. De vez em quando os moradores achavam alguma coisa ainda. A Estrada Paraguaia era e é ainda a reminiscência maior e dizem que um morador, na década de sessenta, encontrou mesmo uma carreta de canhão, abandonada pelos paraguaios em fuga. Não sabendo do que se tratava, o caboclo “botou fogo no trambolho” e, assim, impediu o acervo para o Museu de Ubiratã.

Também na época das pesquisas de Igor Chmyz, foram encontradas muitas trincheiras e, dentro delas, munições, de metralhadora, de fuzil e até mesmo balas de canhão. Foram encontradas espadas, sabres e botas de soldados, que se desmancharam ao toque das mãos, ficando apenas a parte que tinha de metal, segundo Wilder Bordin de Ubiratã e Ceslau Ivatiuk, Felipe Novak, Joaquim Fabrício, Antônio Hernandes de Juranda. Também confirmam essa versão muitos moradores pioneiros de Mamborê como Borgo e Polon Radek. Tudo isso é atribuído à batalha entre paraguaios e brasileiros, mas há quem afirme, entre eles, o próprio Igor Chmyz, que tenham sido restos dos combates entre os sediciosos da Revolução de 1924, que resultou na passagem ali, da Coluna Prestes, em 1925, com os legalistas.

A VII Peregrinação no Caminho de Peabiru percorreu 60 Km entre os municípios de Mamborê, Juranda e Ubiratã. Saiu de Mamborê e chegou até Pensamento, o mais velho Distrito da região, de ônibus. A caminhada só ali teve início. E foi praticamente toda realizada sobre a Estrada Paraguaia, sendo 33.km dessa estrada apenas em Juranda.

Pois bem: seguindo a Estrada Paraguaia, na Avenida da Praça das Flores em Mamborê, ainda de ônibus, chega-se à nascente do rio Sununu, também conhecido como rio Sununum, próximo à Fazenda Balbinot, onde se avista um velho secador, denunciando o labor daquelas terras. Pequenas reservas e algumas reconstituições de mata se avistam em torno dos rios – as matas ciliares -, não deixando que se desertifique por completo a região. A flor leiteira margeia a estrada por quase todo o tempo. Cheia de galhos em forquilha, é alegria dos moleques caçadores para seus estilingues. Porém, mais imponente, a rede de alta tensão acompanha o itinerário, tornando fácil a caminhada do peregrino. Em alguns pontos, há residências quase abaixo da rede de alta tensão, o que assusta o peregrino. Caminha-se mais, chega a famosa “Água Grande” – Antiga Serraria responsável pela destoca e beneficiamento de madeira de grande parte de Mamborê. Essa propriedade já fez parte relevante da história local, como uma das mais promissoras economias na época da extração da madeira. Na verdade, eram muitas. Muitas serrarias.Todas em pleno vapor, fizeram das florestas as casas dos pioneiros, suas igrejas, seus bancos, sua mobília, tirando-lhes a sombra para lhes dar o conforto do progresso. Porém, num exagero tal que agora toda a sociedade se lamenta.

O peregrino segue, continua avistando apenas aqui e acolá um e outro capãozinho de mata, cerceando alguma agüinha, por teimosia do IAP. Ainda bem. São apenas grandes propriedades que se avistam. As pequenas já não existem. Terra plana, de boa condição para a monocultura que se expande vertiginosamente.

O peregrino vê a Venda do Jair.

Assim era conhecida a comunidade por causa do proprietário da famosa venda onde aconteciam os encontros para negócios e de camaradagem entre os ervateiros e safristas de porcos. Debaixo dos pinheirais, abundantes no local, os safristas deixavam livres seus porcos enquanto permaneciam temporariamente para seguir depois a viagem até Campo Mourão, Pitanga e até mesmo Guarapuava.

Mais à frente, dá-se com a Rodovia PR 369. O ônibus a cruza. Às margens desta rodovia ainda se vêem alguns aglomerados de quatro ou cinco árvores – geralmente ipês – mas também outras variedades – a cada mais ou menos cinqüenta metros de distância, que o governador paranaense Jaime Canet, seu construtor, idealizou para o embelezamento e proteção do ambiente em seu entorno. Infelizmente, proprietários alheios a essa intenção, derrubaram a maioria deles.

Finalmente, a Água do Pensamento. Rio muito utilizado na época do acampamento de Allica, final do século XIX e início do século XX, pelo terrível capataz Santa Cruz, argentinos e paraguaios para a rotina doméstica nos ervatais. Ponto de muitos conflitos e de brigas cujos epílogos eram geralmente grandes tragédias. Mais recentemente, na nova colonização, Pala Branca, o famoso pistoleiro do Pensamento também em seu leito protagonizou algumas tristes histórias. Nos cemitérios que o peregrino encontrará, logo acima, no Alto da Raia, estão descansando para a eternidade muitos dos personagens que com ele combateram. Talvez até mesmo ele, dizem os antigos.

 

Avista-se a bela e histórica Igreja do Pensamento, construída por alemães com singular beleza. De parede em madeira dupla, enfeitada por cruzes, mosaicos, feitos da mesma madeira, em alto relevo, com as imagens bem zeladas, um capricho que continua até hoje a testemunhar a fé de quem a construiu. Ela dignifica o lugar. Esta Igreja tem como Padroeiro, São Sebastião.

Mas o dia, 12, é de Nossa Senhora de Aparecida, Padroeira do Brasil. O guia espiritual Amani Spachinski de Oliveira vai lembrá-la na prece de largada da VII Peregrinação. Depois dele, a Profª Lucinéia Amâncio, do NECAPECAM, coordena o alongamento e dá suas valiosas orientações.

O Distrito de Pensamento, segundo alguns historiadores, é o local mais antigo de toda a região e já se encontrava no mapa antes mesmo de Mamborê e do próprio Campo Mourão. Como já se disse, foi um dos acampamentos de Allica e era chamado de “Pensamiento”. A origem do nome é desconhecida. Os moradores atribuem-na, supostamente, ao fato de que era muito importante como “eixo” na viagem dos que aqui se punham a “pensar”, a “planejar”.

Os primeiros moradores da mais recente colonização, por volta de 1940, 1950, foram: Moreira, Olipa, Gasparello, Borgo, Batista.

Mas o local teve outros moradores famosos e o mais temido, do qual já se falou, foi o pistoleiro Pala Branca, que ainda hoje é bastante lembrado. Dizia-se que possuía o corpo fechado, nenhuma bala o atravessaria, até que uma rezadeira ensinou o jeito de desarmá-lo da bravura, desacorrentá-lo do feitiço: na água. E foi assim que o assassinaram. Nem a Polícia conseguia pegá-lo. Costumava desaparecer, misteriosamente, só de vê-la ou senti-la se aproximar. Viarava toco, segundo alguns, segundo outros, bola de fogo. Possuía um documento com o nome de Fermino Caneveze, outro com o nome de Augusto Cela. Era chamado de Pala Branca porque sempre usava um pala branca, que era para encobrir as armas de fogo que carregava nas vestes.

Os peregrinos são recebidos com o tocar dos sinos. Trazem a esperança. Buscam a esperança: a Terra Sem Mal. Merecem loas. E, igualmente, despedem-se ao som dos velhos sinos. “Partam com Deus! Nhanderu!”!

Juntos, seguem os cavaleiros, sob a liderança de Neuso Oliveira, de Mamborê e de Oliveira da Coamo, de Juranda.

Mais à frente, depois de um velho abacateiro, o Posto Águia VII. Coincidência?

Daqui se cruza também o asfalto para retornar à Estrada Paraguaia. Logo se vêem os restos de uma parede em que se lê “Ponto do Camioneiro” e se anuncia não só o seu comércio como a sua gente: “Boate Sex a Pio”. Faz pensar. Outros tempos. Muitos causos, muitas tragédias ali se passaram, contam os antigos. Já fora, bem de início, estilosa casa de poderosos freqüentadores. Depois, abandonou-se aos quaisquer. Solidão, boemia, aventura... Muda-se o endereço, muda-se o estilo, mas não se mudam as paixões, em qualquer tempo, escravizando e provocando os mais inusitados enredos... Lá está o velho pé de Santa Bárbara, calado...

Logo chega o novo Pensamento. O Alto da Raia. Como diz o nome, aqui houve famosa raia de cavalos. Outra paixão dos pioneiros. Quase sempre acompanhada também de tragédias, segundo informam. E também um núcleo bastante movimentado e tumultuado principalmente pelas aventuras envolvendo negócios suspeitos, brigas de terra e a valentia de Pala Branca. Os dois cemitérios guardam corpos de conhecidos, mas também de anônimos que se envolviam nos conflitos não apenas locais, mas de boa parte da região. Um e outro túmulos ostentosos, em meio às muitas covas já rentes ao chão mostram que desde sempre as diferenças continuam mesmo com a morte. No pequeno capão de mato, o peregrino deve seguir à direita para a água do Alfinete. Ali há vestígios do caminho antigo, passa-se por pinguela. E também ali se encontrou a peça indígena maior e mais perfeita da COMCAM. Ainda está com os moradores que a encontraram. O NECAPECAM pede que a família, morando até hoje logo acima do riacho, a deixe exposta.

Por que “Água do Alfinete?” O nome é de origem desconhecida. Às suas margens também ocorreu uma tragédia na década de 1960 ou 1970, cuja lembrança é despertada pela cruz ainda hoje conservada. Trata-se de uma criança que morreu ao cair de um caminhão de tora que se desgovernou ao atravessar o rio, levando, além da carga de toras, algumas pessoas. Logo se encontra um entroncamento, mas segue-se em frente. Pinheiros. Muitos pinheiros, mas muito poucos, considerando sua abundância nas matas de outrora.

Pouco mais à frente, o rio Catatumba. Aqui o peregrino atravessa um trecho de mata, uma pinguela sobre o rio. Neste rio há vestígios da ponte que foi destruída possivelmente pelos capatazes de Allica. Quando eles fugiram, não deixaram nenhuma ponte, destruíram-nas todas. Também o nome possivelmente venha de um acampamento, chamado “Catatumba das Folhas”, lembrando os extensos ervatais explorados pela Companhia Allica. É possível se enxergar vestígios da velha ponte. Aqui havia muitas cobras. Ainda são encontradas com freqüência. O rio Catatumba divide os municípios de Mamborê e Juranda. É possível ver ainda um trecho intocado da Estrada antiga que cortava o lugar. O peregrino não pode passar por esse trecho. Árvores nativas muito pequenas, mas já fortes, vêm aparecendo, reconstituindo a velha paisagem.

A memória coletiva lembra que, não muito longe, numa comunidade que ajuntava sempre com essa, houve a história do coroinha, muito fiel, que subitamente se viu surpreendido roubando o padre. Nunca mais foi o mesmo. Até que um dia, em Campo Mourão, encontraram-no morto, enforcado; não suportara o peso da culpa e as conseqüências do próprio ato.

O rio Catatumba divide Mamborê e Juranda. Seu Toninho Hernandes lembra que, em 1980, Juranda, que na verdade era “Jurandah”, começara a se preparar para desmembrar-se de Mamborê. Não conseguia mais suportar as dificuldades para o atendimento à saúde, à educação, às estradas, escoamento da produção e meio de comunicação dos moradores. Como município as condições melhorariam. Então começou a lutar, junto com Diemes Amadei, Messias Brasil, Clóvis Matias de Carvalho, Remi Valdemar Velch e outras lideranças do Distrito. Em 1981 saiu a Lei. Juranda virou município.
O nome “Juranda”, para os dicionários, vem do guarani “Jur” que significa “vem”, mais “anda” que significa “frutas”. “Frutas que vêm. A abundância delas no lugar”. O nome também faz referência ao rio que banha o lugar. Mas, o povo diz que “Juranda” tem esse nome porque é uma homenagem à índia “Jurandah” que morava às margens do rio Carajá e que era líder entre os seus. Conta-se ainda que, em 1945, teria sido aprisionada, na região, uma índia que se chamava Jurandah. Ocorre que, em cativeiro, a índia fora acometida de grande solidão e, por sentir enorme saudades de sua tribo e seus familiares, acabou perecendo. A partir de então, quando alguma autoridade ou pessoa perguntava aos pioneiros onde moravam, esses informavam que residiam na região da índia Jurandah. Com o passar do tempo, foi-se intensificando a localidade Jurandah e o nome se modificou para Juranda. Por toda a parte há estatuetas lembrando a imagem da famosa índia, agora transformada em um verdadeiro ídolo local. Juranda foi Distrito de Mamborê até 1981, quando um grupo de líderes conseguiu sua emancipação. Em 1980 começaram a articular a documentação para levar à Câmara de Mamborê; o Prefeito de lá era o Sr. Ubiracy Messias e o deputado que colaborou com Juranda foi Jurandir Messias. Quem efetivamente colaborou, além de lideranças locais, em Juranda, foram Diemes Anadei, Antônio Hernandes, Messias Brasil, Clóvis Matias de Carvalho, Reni Valdemar Velch. A sua primeira gestão foi: Prefeito Diemes Amadei; Vice Antonio Hernandes. Os vereadores foram: João Calixto de Oliveira Neto, Militino Malakoski, Jair Grigato, Aluisio P. de Farias, Francisco G.Oliveira, Maria Zeni P. Messias, Messias Brasil, Rui Braga, Creuza Bortolucci. Hoje a gestão (2005-2008) pertence à Prefeita Leila Amadei, ao vice-Prefeito Antônio Hernandes e à Câmara Municipal: Bento B. da Silva, Claodiomiro L. Vieira, Jair Grigato, José A. da Silva, José M. Neto, Osmar de Andrade, Rubens Valer, Roseli S. Welz, Wilson J. de Souza.
A população atual de Juranda é de 8.180 habitantes e a sua extensão é de 349,6Km2.
Seguindo o rio Catatumba, o peregrino vai encontrar a Placa Monjolinho.Leva este nome por causa de um monjolinho que funcionava no local. E, bem seguida, a PEDRA da Comunidade dos Fabrício.
Aqui o Peregrino encontra uma calorosa recepção, do Sr. Joaquim Fabrício e sua família. Uma festa animada, com deliciosa macarronada com frango, churrasco, saladas, doce de abóbora. Muita música, dos violeiros e do gaiteiro mamborenses que acompanharam a Peregrinação até a sede do município de Juranda. Podemos dizer que esta foi a Peregrinação da cantoria. Da bela e puríssima música do campo, nas vozes de seus moradores, apaixonados, deixados ao prazer da arte com total entrega. Fazem-se presentes o Prefeito de Mamborê, o Diretor – Presidente da SUDHERSA Darcy Deitos, o Chefe Regional do IAP Ricardo de Jesus Carvalho dos Santos, o ex-Prefeito de Goioerê Antônio Sena,que acompanharam a VII Peregrinação, ou seja, que fizeram-na até esta comunidade. Chegando entre os primeiros, inclusive, apesar de terem-se perdido em um determinado trecho. Depois da deliciosa refeição, a dança também tomou conta junto com a cantoria.

Esta comunidade nasceu em 1944. Antes já havia moradores, antigos posseiros, que compravam e vendiam para especular. Nesse ano, as famílias passaram a organizar uma comunidade. Juntamente com os Novak e os Ivatiuk, os Fabrício vieram reconstruindo pontes e reabrindo antigas trilhas feitas e depois destruídas pelos próprios paraguaios. Junto com os Fabrício vieram as famílias de Teska, Ferreira, Dama, todos num só caminhão.

Sítio do Nico Maia. Também pioneiro. De ônibus, os peregrinos prosseguem até a Cachoeira do Sununum. Encantam-se com seus doze metros de queda d´água. Retornam ao ônibus para retomarem a caminhada e alguns seguem em frente, na trilha mapeada. Outros, desviam, com o ônibus até outra cachoeira, na Fazenda Malakoski, com estrutura de lazer. Um prazer indescritível, relatam os que a visitaram.

O antigo cemitério dos pioneiros foi visto por poucos. Em túmulos descobertos, de tijolos, outros de azulejos, já envelhecidos, alguns em covas comuns, descansam ali os primeiros moradores locais, posseiros e da nova leva de colonização. Num dos túmulos, lê-se o falecimento em 1970 aos 66 anos de idade. Casais e crianças trazem à memória o pensamento sobre as dificuldades no trato com doenças, com tratamentos especializados. A medicina de chás e as promessas normalmente compunham o quadro de receituário desses primeiros e corajosos habitantes do local.

O peregrino vai passar por mais ou menos 1.000m de pedras irregulares na estrada que chega a Juranda. Mas elas estão firmes, mais arredondadas que pontudas, a caminhada é tranqüila.

No cruzamento, apenas três opções de estradas. Mas ali já fora local de comunidade bastante ativa. A antiga comunidade Pica-Pau.Hoje, só lembranças. Mas, este cruzamento viveu intensa movimentação, possuía escola, igreja, campo de futebol. A mecanização levou ao latifúndio e ao êxodo, apagando do chão suas marcas. Ninguém diz. Só quem viveu.

Mais à frente, uma estradinha. O peregrino entra. Vai encontrar um pequeno bosque à direita e ainda um pouco à frente, extensa mata. Da Ponte do rio Sanga Funda. A antiga ponte era a mais de duzentos metros à frente. Há vestígios dela. Foi destruída pelos próprios paraguaios que a fizeram, nos tempos de Allica. É assim conhecida porque possui uma sanga de mais ou menos seis a oito metros de altura. As famílias de Novak, Ivatiuk e Fabrício a reconstruíram para passarem na década de 1940.

Neste ponto a chuva que finalmente chega, alcança a maioria dos peregrinos. Sentir seus primeiros pingos, senti-la ir-se engrossando e avolumando, fazendo covas, que se esticam em valas, correndo célere, acompanhando-se dos trovões, relâmpagos, de uma paisagem numinosa* dessa natureza indomável, é de beleza e prazer indescritíveis. Fria, forte, barulhenta. E que calorosa!

Seguindo, o peregrino se depara com a PR 369. Vai cruzá-la, molhada, movimentada e lisa, para adentrar a sede de Jurandah e logo já retorna à Estrada Paraguaia. Vê o Cruzeiro e uma pedra escrita pelo NECAPECAM.

Este Cruzeiro marca a primeira missa católica ucraína rezada em Juranda em 1960 na residência da família Bartoski, cujo filho, batizado e que ali fez a primeira comunhão ainda reside no local. Na casa onde se rezou a primeira missa moram seu filho, nora e neto. Há um rio muito famoso, com o nome de “Trezóio”, ou Três Olhos, por referências às três minas que possui. Atrás do Cruzeiro, no pasto, ainda podem ser vistos vestígios da Estrada Paraguaia.

Então o peregrino pega a Rua General Rondon para chegar à escola Paulo Roberto, onde terá o banho e o pouso. Os mais retardatários já encontram pronto o chimarrão, numa animada roda.

Depois de algum tempo, a luz falha. Banho frio. Mas se agüenta. A noite chega, chega de novo a luz, chegam os violeiros e o gaiteiro de Mamborê para alegrar os peregrinos. Também entre os peregrinos há cantoria, há dança. Depois, o jantar: o delicioso porco no tacho. A Prefeita Leila Amadei e o vice-Prefeito Antônio Hernandes estão presentes. Participam com alguns funcionários, com a imprensa do município. O clima é de festa.

Após o jantar, os peregrinos são convidados a irem, de ônibus, até a Casa da Cultura, onde a orquestra de viola infantil e a adulta fazem seu show. Afinadíssimas. Estão presentes o vice-Prefeito Antônio Hernandes, a Prefeita Leila Amadei e muitos pioneiros. A família Mazur é também pioneira de Juranda. A Presidente do NECAPECAM, Marilene; a coordenadora de Pesquisa, Sinclair; o Vice-Presidente, Gancedo usam da palavra para apresentarem a Rota da Fé, outro projeto de peregrinação da COMCAM. E o peregrino Pierim fala de suas experiências em peregrinações. Fala sobre a cultura de cada peregrinação que vem vivenciando. Há diferenças, pois diferentes são suas comunidades.

Cansados, os peregrinos retornam, de ônibus - pois ainda chove - para o merecido pouso na escola. Há quem prefere o hotel, como tem acontecido desde a 1ª Peregrinação.

Dia 13. Lindo dia, com ameaça de se continuar com chuva. Os peregrinos tomam seu café, fazem a prece coletiva, conduzida por Amani, Pierim e Moray. Recebem tabaco que Moray diz ser para jogarem à mãe Terra, fazendo pedidos, buscando o reencontro com a essência. Fazem alongamento, guiados por Jairo e iniciam o dia com a continuidade da peregrinação. Animados, seguem rumo a Ubiratã.

Logo já se encontra o início da zona rural de Juranda. Fazenda de Ceslau Ivatiuk. Ceslau Ivatiuk foi um dos primeiros moradores de Juranda e reside ainda na mesma propriedade em que chegou. Colaborou com informações para a rota e na década de 1940, quando chegou, ajudou a reconstruir as pontes e as trilhas que os paraguaios haviam abandonado.

Mais à frente, outro pioneiro. Sítio de Estefano Roma. Roma chegou a Juranda na década de 1950. Nesta propriedade existe e está em bom estado de conservação um cemitério antigo. Segundo os pioneiros, ali foram enterrados, além de pessoas de suas famílias e amigos, pessoas desconhecidas. Morria muita gente, sem destino conhecido, outros da região e ali acabavam sendo enterrados. Com muito respeito e cuidados, os túmulos são preservados, assim como as covas, mesmo de pessoas desconhecidas. Felipe Novak lembrou de uma caveira que ele mesmo encontrou ali perto e que a Polícia identificou como de um soldado paraguaio, pelo que lhe acompanhava, como moedas, armamentos. Possuía também uma dentadura com dentes de ouro.

O peregrino encontra mais uma pedra do NECAPECAM. É na fazenda de Felipe Novak.

A família Novak é das primeiras de Juranda, do ano de 1947. Veio reconstruindo pontes e estradas abandonadas pelos paraguaios e neste local formaram novas descendências. A primeira missa rezada em Juranda foi em sua casa, entre 1948 e 1949, por um Padre vindo de Pitanga a cavalo. O Sr. Felipe sempre colaborou com a comunidade e permanece até hoje na propriedade em que chegou, numa outra sede. Vivenciou muitos conflitos, mas lembra que eles se davam no lado de Ubiratã.

Chega a divisa de Juranda com Ubiratã. Numa extensão de 12 km, do lado direito se terá Juranda e do lado esquerdo Ubiratã, até que tudo se torne parte do município de Ubiratã, apenas.

O município de Ubiratã foi palco da VI Peregrinação no Caminho de Peabiru. Inicialmente a região do município era conhecida pelo nome de “Gleba Rio Verde”. O nome “Ubiratã” foi uma homenagem aos povos indígenas que habitavam a região. Nome composto pelos termos “ubira” que vem de “ubyra” e que significa madeira, árvore, pau e de “tã”, que significa “sólido, duro, rijo”(FERREIRA, 2006; ATAÍDE, 1988) . Assim, Ubiratã significa “madeira dura”, “pau ferro”, nome que popularmente se dá a uma árvore nativa da região. Os índios chamavam também de “ubiratã” uma “espécie de machado feito de madeira dura”, segundo os primeiros colonizadores da região e os historiadores.

Ubiratã é localizado entre os rios Ivaí, ao Sul e Piquiri, ao Norte, pertencendo ao Planalto de Campo Mourão.

Em 1954, quando a SINOP iniciou seu projeto de colonização, encontrou caminhos velhos. Segundo Wilder Bordin, o topógrafo da empresa, havia três ramais já formados, um deles com características mais antigas. A rota, que se espalhava em três direções, vinha da Velha Juranda ou Medeiros, paralelamente ao rio Tricolor. Num ponto, não muito antes da sede do município, um ramal subia pela cidade, passava por Caviúna, aproximava-se paralelamente ao rio Piquiri até chegar à Estrada Velha para o Paraguai, também conhecido por Estrada Paraguaia, divisa com Goioerê. A Estrada Paraguaia era o outro ramal. As leituras de mapas e bibliográficas apontam para que haja a probabilidade de que uma dessas estradas tenha sido construída sobre o milenar Caminho, ou, até mesmo, que fosse um de seus ramais, até porque estão muito próximas a Campina da Lagoa onde se comprovou trecho ainda intacto dele. E não havia na região outras estradas antigas, na década de 1950, conforme Wilde Bordin, o topógrafo da SINOP afirma. Por esse Caminho milenar, teria passado, em 1541, com o objetivo de abrir vias para o povoamento de domínio de Assunción, Paraguai, o adelantado Álvar Nuñez Cabeza de Vaca, com 250 homens. Ele teria partido do litoral de Santa Catarina, São Francisco do Sul, pelo Caminho de Peabiru, rota indígena milenar e transcontinental. A expedição, que só terminou em 11 de março de 1542, levou 144 dias para atravessar a região que utilizou do hoje estado do Paraná. Esse ramal cruzava o rio Cantu, o curso superior do rio Piquiri e do rio do Cobre, para atingir, dirigindo-se ao Sul, o rio Iguaçu, na foz do Cotegipe.

A instalação do município deu-se apenas em 04 de novembro de 1961 e o primeiro prefeito foi o Sr. Alberoné Bittencourt. O prefeito atual é Fábio D’Alécio. A primeira Câmara foi constituída pelos seguintes vereadores: Alicio Alves Camargo, Antônio Correia Fraga, Edgar Paulo Otaviano, Germino Carmona Domingues, Hilário Molina Cortez, João Lorentino Timóthio, Luiz Avelino da Silva, Raimundo Soares do Nascimento, Tomaz Ezidro de Lima. Interessante observar o modo de escolher o vice-prefeito da época. Segundo registros obtidos pelo ubiratanense Izalino Inácio Paixão, o vereador Hilário Molina Cortez foi eleito pelos pares como vice-prefeito. A Câmara atual conta com os vereadores Orlando dos Santos Filho, Sandra Cândido Petrica, Sandra T. Trivilin, Luiz Francisco da Cunha, Marcos da Silva Retamiro, Arnaldo de Melo Correia, Arnoldo Fernando Duarte, Lauro Hrymiewics, Aparecido Paulo da Silva. O vice-prefeito, hoje, é eleito pela população em chapa fechada com o prefeito. O prefeito atual é Orlando.

Para o povoamento, a SINOP distribuiu informação a todo o Brasil, vindo para a região nordestinos, mineiros, catarinenses, gaúchos, paulistas. Também vieram migrantes japoneses, alemães, italianos, espanhóis, ucraínos, sírios. A mecanização da agricultura, na década de 1970, provocando o latifúndio, porém, despovoou a região.

A população atual de Ubiratã é de 19.463 habitantes e quem nasce em Ubiratã é ubiratanense.

O primeiro ponto histórico de grande destaque que o peregrino encontra, em Ubiratã, é a Ponte do rio Ronquita.

Ronquita foi, nos inícios do século passado, um importante acampamento de Allica. Como em todos os outros acampamentos, o trabalho escravo e desumano marcaram a vida dos trabalhadores, enquanto um rico império se construía para a Companhia. A Coluna Prestes acabou por colaborar com esses homens, conhecidos como “mensus” das “obrages”, libertando-os e depois denunciando o que viram na região. Ainda hoje a memória coletiva conserva histórias dos horrores que Santa Cruz, o capataz de Allica provocara, em suas explorações na região.

Depois, o peregrino passa pela comunidade de Luz Marina. Esta comunidade foi construída na nova colonização pela Colonizadora SINOP. Já foi intensamente habitada, hoje a Igreja de Luz Marina testemunha sua movimentação. Embora não tivesse sido, na época de sua fundação pela SINOP, um núcleo de povoamento, só depois, com essa fundação, existiam já ali casas esparsamente distribuídas. O progresso chegou firme, agressivo. Os “possuintes” tiveram que se retirar, deixando algumas histórias de tristes tragédias, com incêndios, negociatas.

Os líderes de Luz Marina estiveram presentes no almoço na comunidade vizinha, de Yolanda, oferecido pela família de Maria Gasparotto.

O peregrino chega à Comunidade de Yolanda. E finalizará sua caminhada do dia 12/10/2007.

Maria Gasparotto e seus três filhos recebem os peregrinos com calorosa acolhida, com delicioso churrasco de costela e de carneiro. Muitas pessoas foram convidadas pela família, como os líderes da comunidade Luz Marina. O vice-Prefeito de Juranda Antônio Hernandes também se faz presente. Acompanhou o Caminho de Peabiru desde a exploração, colaborou intensamente com os trabalhos e permaneceu até o final da sua realização. A simpatia e bondade da família Gasparotto contribuem para o clima de satisfação desse final de caminhada.

O Distrito de Yolanda começou a ser povoado em 1959, juntamente com o município de Ubiratã. O nome do Distrito foi uma homenagem à esposa do Diretor da SINOP, João Pedro M. de Carvalho – a Dona Yolanda Loureiro de Carvalho. Segundo o topógrafo Wilder Bordin, o Distrito era ponto de venda de terras, sem o intuito de formar comunidade.

As suas primeiras plantações foram de hortelã, feijão e milho.

Em 1951, em agradecimento pelas terras conseguidas e pelas plantações, ali foi rezada a primeira missa pelo padre Sebaldo. Apenas em 1962 foi iniciada a construção da igreja, de madeira e ainda muito pequena para o número de fiéis. Em 1970 foi construída a igreja de alvenaria e, que recebeu o nome de Capela Nossa Senhora Aparecida. Também foi o padre Sebaldo quem a inaugurou.

No ano de 1965 a comunidade teve o seu primeiro vereador, Antônio Ferreira. Depois, durante três mandatos, teve o vereador Mamede Alves de Vasconcelos. Em 29 de março de 1962, foi autorizada a Escola Estadual Vila Yolanda, então Grupo Escolar de Yolanda. No ano de 1968 a escola passou a ser denominada Escola Estadual Vila Yolanda. Em 2003 passou a se denominar Colégio Estadual profª Maria Gomes Bezerra.

O Distrito de Yolanda fica a 16 km de Ubiratã e tem, atualmente, cerca de 2.998 habitantes.

Dinâmico e participativo, o Distrito de Yolanda contribui em muito para o desenvolvimento do município de Ubiratã, contanto com forte estrutura de comércio e de bens de serviço.

Dali, os peregrinos saem em visita ao Museu histórico do rio Piquiri, em Ubiratã, divisa com Corbélia. No Museu, as marcas dos conflitos ali vividos na guerra do Paraguai, as marcas da ancestral cultura indígena da região, as marcas da atual pujança do rio, em fotos de árvores e peixes ali encontrados. Também de alguns animais praticamente extintos.

Não podia faltar a visita ao próprio rio, a cinqüenta metros. O peregrino tem a oportunidade de conhecer e de entrar no rio que marca a fronteira da COMCAM. Piquiri quer dizer “peixe pequeno” e apresenta-se ali, bastante manso. A região da COMCAM fica entre o Piquir e o Ivaí.

Finda a visita, o peregrino retorna a Juranda, de onde sairá para Mamborê e para Campo Mourão, sempre de ônibus. Muitos deles, a fim de prosseguirem ainda em seu retorno ao lar.
* numinosa - significa "poder universal, terrível, amedrontador, que reúne as forças do bem e do mal em essência, sem distinção. Justamente porque o que chamamos "bem"e "mal"são parte da criação, ambos são necessários na medida certa do positivo e do negativo para gerar a vida. Por isso, a natureza tem a beleza do numinoso, ou seja, é numinosa. Os homens, com a "razão", fragmentaram tais forças e as canalizaram, causando graves problemas, pois eles, o bem e o mal,  só são harmoniosos quando juntos, na ESSÊNCIA, trabalhando para o equilíbrio, como forças engativa e positiva. Alguns sistemas de conhecimento, algumas "ciências" continuam a não separá-los e a considerar a essência, o equilíbrio, aprendendo a lidar com eles em conjunto, evitando a radicalização.É claro que não no Ocidente.

Abraço a todos e até a próxima! Continuemos a buscar, em nossa peregrinação cotidiana, a”Terra Sem Mal”! - NECAPECAM.

PEREGRINOS DA 7ª PEREGRINAÇÃO NO CAMINHO DE PEABIRU


Peregrino Cidade/Est.

Alexandre Moray Lusa - São Paulo-SP
Aline A. Pastori - São Paulo-SP
Amani S. de Oliveira - Campo Mourão
Antonio Bernardino Sena Neto - Goioerê
Antonio Bernardino Sena Junior - Umuarama
Celso Amâncio de Melo - Maringá
Clarice Apª dos Santos Pierin - Cambé
Daltro Ângelo Vieira - Cascavel
Edilaldo Machado da Cruz - Goioerê
Edio Martello - Maringá
Edna Sassaki Zenke - Maringá
Edson Hideo Zenke - Maringá
Elizabete Gonçalves Silva - Maringá
Elza Tonete Fuzeto - Campo Mourão
Everton L. de Oliveira - Campo Largo
Fernando Bottega Hallberg - Cascavel
Gilson Seguro Nascimento - Campo Largo
Henriquinho Sanches Salla - Mamborê
Ivan de Carvalho Braga - Maringá
Izalino Inácio da Paixão - Ubiratã
Jair A. Jacovós - Maringá
José Vanderlei Dissenha - Curitiba
Jósimo Sergio Campaner - Paraíso do Norte
Juliana M.S. Vieira da Rosa - Cascavel
Julio Kubota - Maringá
Manoel Massaranduba de Freitas - Ubiratã
Marcos Devonsir Carraro - Maringá
Maria Eliana F. Jacovós - Maringá
Paulo Cezar Frantiozi - Cascavel
Raquel E. Leal Silva - Maringá
Regina dos Santos Prado - Maringá
Ricardo de Jesus C. dos Santos - Campo Mourão
Rodrigo Zonta - Maringá
Sandra R. M. H. Kubota - Maringá
Sinclair Pozza Casemiro - Maringá
Silvio César Walter - Campo Mourão
Sirlei Boveto Shima - Campo Mourão
Siro Canabarro - Cascavel
Tânia C. Lessak Tofoli - Campo Mourão
Tânia Maria Garbelini - Maringá
Valter Ferreira de Araujo - Maringá
Darcy Deitos - Campo Mourão
Janina C. M. Silva - Campo Mourão
Fernando Kmita - Campo Mourão

Cavaleiros Cidade

Neuso de Oliveira - Mamborê
Oliveira de França - Mamborê
Wilson Aparecido Duarte - Mamborê
Neoraldo Tibes de Abreu - Juranda
Roberto - Mamborê
Felipe Morais - Mamborê
Lazaro Santos - Campo Mourão
Marco Aurélio Valin dos Santos - Campo Mourão
Antonio W. P. Demeneck - Juranda
Natan Fernandes Demeneck - Juranda
Evandro Bales de Campo - Juranda


Equipe de Apoio


Sinclair Pozza Casemiro
Antonio Gancedo
Cezar Medeiros
José Lazaro de Carvalho
Maria Luiza Ludewig
Jaurita M. Lessak
Lorenilda de Carvalho
Lucinéia Amâncio
Sabrina de Assis Andrade
Jairo Aloísio Araújo
Luis Carlos Barradas
Ryan Lebrão
Antonio Hernandes
Marilene Celant Miranda da Silva