Este Projeto pretende resgatar e mapear a trilha na COMCAM-Comunidade dos Municipios da Região de Campo Mourão-, por meio de pesquisas, vestígios líticos e da memória coletiva, tudo isso facilitado pelas fontes bibliográficas porque, aproveitando o Caminho, também teriam passado por ali os conquistadores espanhóis, os jesuítas das reduções, os bandeirantes paulistas nos séculos XVI e XVII e mesmo os pioneiros desbravadores do final do século XIX. Escritos do século XVI, aliás, chegam a descrevê-lo como possuindo cerca de oito palmos de largura, uma profundidade de 0,40 cm e forrado por gramíneas que impediam o crescimento do mato. A mesma descrição que dele fazem os guaranis. Peabiru é palavra tupi-guarani e possui muitas traduções: caminho forrado, caminho pisado, caminho sem ervas, caminho que leva ao céu. Para os descendentes guaranis, é o caminho de busca da Terra Sem Mal. Pode ter sido, porém, um caminho de comércio para o povo inca.

O ramal de Campo Mourão, sede da COMCAM, é histórico e muito citado. Segundo Rosana Bond, no seu primeiro livro que fala especificamente do Caminho, passava por Campo Mourão e por diversos municípios que hoje compõem a COMCAM.

A idéia do Projeto de Resgate do Caminho do Peabiru na COMCAM nasceu depois do lançamento do Pré- projeto turístico e cultural - Caminho de Peabiru- o Compostela da América do Sul, nos dias 19 e 20 de março deste ano em Campo Mourão, contando com a presença de autoridades brasileiras e internacionais, como os coordenadores do Projeto pela ONG NAIPI, Rosana Bond e Rosnel Bond, a Ministra do Turismo do Paraguai, Evanhy Troche de Gallegos, o Governador do Paraná Roberto Requião, o Diretor Geral Brasileiro da Itaipu Binacional Jorge Samek, o Diretor Administrativo da Itaipu Binacional Rubens Bueno, o Prefeito de Campo Mourão Tauillo Tezelli, o Presidente da Casa dos Artistas e do Sindicato dos Artistas do Rio de Janeiro Stepan Nercessian e o Cacique da aldeia do Morro dos Cavalos, município de Palhoça-SC, Werá Tupã. Há dez anos, o Caminho de Peabiru já tinha sido um desafio para a Assessora de Imprensa Rosana Bond, do então prefeito de Campo Mourão, Rubens Bueno, que fez pesquisa para desvendar a origem do nome do município de Peabiru.
O Núcleo de Estudos e Pesquisas de Campo Mourão sobre o Caminho de Peabiru debruça-se sobre documentos, pesquisas, estudos nas mais diferentes áreas para compreender melhor a história do Caminho, para fazer desse Caminho um projeto turístico como opção econômica de alto alcance social.
O Núcleo de Campo Mourão vê perspectiva de muito êxito no empreendimento econômico, pois trata-se de um projeto que pode atrair não apenas o turismo, mas também atividades para os mais diferentes segmentos profissionais, como o da gestão empresarial, da arquitetura, das engenharias, da arte, vez que oferece novas oportunidades de modelos, baseados na cultura, na ecologia, no próprio campo místico, exigindo a construção de novos visuais e paradigmas de desenvolvimento. Isso vem inovar a própria estrutura das cidades envolvidas, suas edificações, sua comercialização, sua economia e sua rotina.
Desde 1990 vem surgindo no topo das estatísticas mundiais um outro tipo de turista, conforme diz Rosana Bond, membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, em entrevista sobre o assunto. É o turista que deseja caminhar por trilhas sagradas, conhecer descobertas arqueológicas, manter contato com populações indígenas, ouvir histórias de antepassados, de tesouros escondidos, ver inscrições pré-históricas, fazer meditação e participar de rituais esotéricos, acompanhar a procriação de animais em extinção, por exemplo. É o turista-ecologista, o turista-historiador, o turista-místico, o turista-peregrino. E a trilha do Peabiru tem muito disso. É caminho sagrado para os índios, que leva à Terra Sem Mal, portanto é místico, evoca a espiritualidade; a paisagem da COMCAM, assim como sua História têm muito a contar e a mostrar, por exemplo, reservas ecológicas como do Cerrado de Campo Mourão, a área mais setentrional do planeta; registros de  sítios arqueológicos de Campina da Lagoa, Ubiratã, Juranda, Nova Cantú e de Vila Rica do Espírito Santo em Fênix e tantas outras atrações. Além disso, os municípios pelos quais passa a rota, têm a oportunidade de mostrar suas potencialidades.   Em outubro de 2004 teve início as peregrinações pela Rota Turística do Caminho de Peabiru da COMCAM e todos os anos vêm sendo realizadas nos meses de abril e outubro. A primeira peregrinação, de 09 a 11 de outubro de 2004, envolveu os municípios de Campo Mourão, Corumbataí do Sul, Barbosa Ferraz e seu distrito de Bourbônia.
Dessa forma, nasce em Campo Mourão e na COMCAM, o grande Projeto "Caminho de Peabiru- O Compostela da América do Sul", uma nova alternativa cultural, social e econômica, com fundamento nos aspectos turísticos, históricos, ecológicos, místicos. Uma oportunidade, como disse Jorge Samek, Diretor Geral Brasileiro da Itaipu Binacional, na época do lançamento do projeto binacional, de integração não só dos nossos municípios quanto da própria América Latina. O Caminho do Peabiru, se uma vez já foi caminho da união entre povos, pode voltar a sê-lo.
Não podemos nos esquecer, ainda, de que há hoje uma demanda reprimida em termos de mundo para o turismo, pois os tradicionais locais de visitação estão em zona de permanente conflito e  outros destinos turísticos tradicionais estão constantemente ameaçados pelo terrorismo. O Novo Mundo pode , pela sua caminhada para a "Yvy Marã Ey" ( "Terra Sem Mal"), ter a chance de exportar ao mundo todo essa nova força turística, colocando-se entre as mais modernas alternativas de lazer, de cultura, e de economia.
Na realidade, porém, o Caminho de Peabiru, infelizmente, tem se encontrado num total abandono e seus raros vestígios apenas sobrevivem. Os historiadores Hernani Donato e Luiz Galdino, membros do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, ressaltam a importância de se resgatar esses vestígios na nossa cultura. Não só, pois, é necessário salvar os vestígios ainda existentes, mas também estudá-los metodicamente. Duplo desafio se apresenta aos contemporâneos: de pesquisas, num filão que envolve ciência, arte, filosofia e noutro filão que envolve a economia e aspectos de gestão e de engenharia.
O Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre o Caminho de Peabiru na COMCAM – Comunidade dos Municípios de Campo Mourão – Micro-região 12 do Paraná - vem desenvolvendo, paulatinamente, o mapeamento da rota e, com o apoio das prefeituras municipais e demais parceiros, organizando peregrinações pelos municípios por onde passa o Caminho na região da COMCAM.

 

  • Resgatar o Caminho na COMCAM nos aspectos cultural, geográfico, histórico, lingüístico, místico, ecológico e turístico.
  • Conscientizar a população local sobre o que é o caminho, como ele poderá ser estudado e trabalhado, como ela mesma, a população, poderá se beneficiar com o turismo baseado na sustentabilidade local.

 

  • Promover oportunidades para aulas de educação ambiental,  seja em escolas, fóruns, simpósios, ou qualquer outra modalidade didático-acadêmica.
  • Fazer peregrinações nos municípios por onde passa o Caminho de Peabiru, conhecendo também as potencialidades turísticas, econômicas e culturais que eles oferecem.

 

    • Apoiar logisticamente as peregrinações com subprojetos de: a) mapeamento do roteiro; b) estrutura de alojamento e de alimentação; c) segurança; d) saúde; e) cultura - palestras, informações e conservação do acervo de objetos líticos ou qualquer outro material relacionado ao Peabiru; f) campo místico e documental; g) comunicação - imprensa, marketing, etc; h) batedores.